Lá se pensam, cá se fazem.

Cidade Oficina

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Eleita como uma das cidades mais bonitas do mundo, revigorada pelo boom turístico e pela movida artista e académica, o Porto é também uma das cidades mais afetadas pelo desemprego, pela pobreza, pelo decréscimo de população e pelas taxas de analfabetismo, em particular no centro histórico e nas freguesias de Bonfim e Campanhã. É numa dessas zonas que se pretende implementar a Oficina. A Oficina – por definição, lugar de criação e construção – pretende ser um espaço de educação popular, intergeracional e vocacionado para as atividades artísticas, culturais e sociais. No seu seio, alberga um conjunto de associações e artistas funcionando como plataforma de suporte e desenvolvimento das suas atividades: apoio educativo, alfabetização de adultos, debates, workshops, sessões de cinema, refeições comunitárias, feiras de produtos biológicos, concertos ou lojas pop-up são alguns dos exemplos de iniciativas que contribuem para a movimentação do espaço, para a criação de redes de colaboração e para a sustentabilidade do projeto. A Oficina abre-se à cidade, aproveitando os seus recursos - museus, jardins, mercados, bibliotecas, faculdades... – que se tornam caminhos de ida e volta para este espaço, através do estabelecimento de parcerias e projetos comuns. A espinha dorsal da Oficina é um projeto de investigação-ação participativa e colaborativa desenvolvido por jovens de contextos vulneráveis. Partindo da metodologia de Teatro do Oprimido (TO), este grupo - constituído por 20-25 elementos – será estimulado a refletir sobre um problema social que os afete (enquanto indivíduos e enquanto coletivo), procurando alternativas de resolução. Durante um ano, para além do TO, utilizarão outras linguagens artísticas e de educação não-formal: photovoice, música, escrita criativa, cenografia, dança e movimento, entre outras. É dessas experiências que partirá a investigação sobre a realidade que querem transformar. A autonomia desse grupo será estimulada ao propor que também eles desenvolvam atividades quinzenais com crianças. Todo esse processo será registado através de um documentário colaborativo concretizado com a participação efetiva dos jovens em todas as etapas da realização. Este vídeo documental pretende mostrar o dia a dia passado na Oficina, interligando com as experiências de vida de cada um. As imagens captadas pelo grupo de jovens são de extrema importância pois refletem sobre questões simbolicas, práticas e de auto representação dos territórios. A Oficina define-se assim, na sua essência, como um laboratório de experiências, um centro de pesquisa ou uma comunidade de aprendizagem, um projeto comprometido com a democratização da arte e da cultura e com a emancipação social.

Inês Barbosa

Visionário
Porto, Portugal

Liliana Caridade

Facilitador
Londres, Reino Unido

Marta Lima

Comunicador
Porto, Portugal

Eduardo Maltez

Comunicador
Porto, Portugal

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